terça-feira, 12 de dezembro de 2017

TEVE NATAL COM MESA FARTA 2017, SIM!


Faltando poucos dias para a comemoração (antecipada) de natal, no Sertão do Moxotó não tínhamos na ONG nenhum kl de alimento... Havíamos mobilizado pessoas, deixado caixas em empresas parceiras, mas não havia nada concreto! Me perguntaram se não havia aprendido a desistir... respondi: - se desistir uma vez, serei tentada a desistir de novo, então prefiro lutar... Olha aí a equipe! Elas rodaram mais de 700 KMs (ida e volta) para vir ao Sertão, preparar as refeições do Natal com mesa farta 2017.
Uma equipe guerreira e centrada, juntos preparamos mais de 700 refeições, que foram servidas gratuitamente no Sertão. Agradecemos a cada um que participou, cooperou, enfim... quem esteve junto, com o coração na causa. Joana D ´arc  Henzel – Idealizadora da ONG Pão é Vida.
         Percepções  de quem participou do Natal com Mesa Farta 2017.
No livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha, ele disse: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte". Hoje, em muitos momentos, essas palavras marcaram o meu dia na zona rural de Inajá-PE, Sertão do Moxotó, mais precisamente no sítio Baixa II, umas das regiões mais pobres e esquecidas do Brasil, área de atuação da ONG PÃO É VIDA.
Foi realmente um dia incrível na companhia de minha esposa, Arnaldo Xavier, Marta Ramos, Paulo Batistela, e de um casal Incrível, Ronaldo e Joana D'arc Henzel; eles trabalham duro plantando o bem e fazendo acontecer oportunidades de melhoria na qualidade de vida de muita gente que tem muito pouco ou quase nada. Detalhe, fazem acontecer naquele tipo de lugar que: apenas os fortes sobrevivem.
O dia me fez lembrar também uma frase da escritora Clarice Lispector, que certa vez escreveu: “Ser feliz é uma responsabilidade muito grande. Pouca gente tem coragem”. O casal Joana e Ronaldo escolheram a responsabilidade de ser feliz trabalhando duro pela felicidade de muitos sertanejos sofridos e esquecidos pela maioria.   Bruno Bezerra – ONG Bichos da Caatinga.

- Era cedo ainda, talvez 8h, 8h30 da manhã, e as Caminhonetes D20 começavam a chegar no povoado de Baixas, no sertão do Moxotó, município de Inajá, interior de Pernambuco. Lotadas, com pessoas viajando até mesmo no teto. Famílias inteiras vinham para uma celebração de Natal.
A ação ocorre há sete anos. Além do almoço, galinhada, arroz, feijão, macarrão e salada, são distribuídas cestas básicas e brinquedos. Mais de seiscentas pessoas beneficiadas todos os anos. É dia de festa, vem gente de muito longe para participar do Natal com Mesa Farta.

O calor, as 10h da manhã, já beirava os 40 graus. O almoço seria servido somente as 14h. Pelo menos mais quatro horas de espera. No sertão a seca dizima a sombra. As árvores definham com a falta de chuva. Raros os pontos de abrigo do Sol. Crianças e idosos sofrem mais. Muitas mulheres com bebês de colo, uma, com quem conversei, estava com um bebê de um mês de vida. Cena forte, atormenta.
Na cozinha da ONG PÃO É VIDA, seis mulheres se desdobravam para preparar as mais de 600 refeições. Do lado de fora, outros voluntários corriam para separar brinquedos, montar a cama elástica, carregar água para o pavilhão da igreja da comunidade. Este ano, o número de voluntários reduziu consideravelmente. Pelo menos um terço deles viria do Recife, mas muitos estão com salários e décimo terceiro em atraso e não tinham recursos para pagar o transporte até o Povoado. O jeito foi a turma que veio de Santa Cruz do Capibaribe enfrentar o desafio de deixar tudo pronto.
Mais e mais pessoas chegavam. Crianças surgiam de todos os lugares em seus jeguinhos. Ao meio dia, havia um "estacionamento de jegues" na caatinga seca. Pessoas e animais eram de fato castigados pelo Sol. Essa é a realidade do Sertão.
Só que era dia de festa. Era dia de Mesa Farta, e as pessoas estavam felizes . É uma data muito aguardada. A temperatura subindo, gente chegando. Correria que não acabava. Chegou um momento em que ninguém mais sentia o Sol, o calor. Apenas trabalhava.
As 14h em ponto o almoço começou a ser servido. Uma fila enorme se formou. Muitos idosos, muito mesmo. Me lembro de ter parado na porta da igreja para observar . Se você pudesse ver o que eu vi. Se pudesse encarar aquela pele judiada do sol, aqueles corpos magros, aquele olhar da idade que chegou. Saberia o que eu senti e sinto há dois meses.
O tempo não pára. Mas aqui parece andar rápido no envelhecimento e lento nos dias de seca. Já são sete anos, e a chuva não tem pressa de chegar. Não mesmo. A espera pelo almoço valeu a pena. A refeição feita com muito carinho estava ótima.

Com poucos recursos, os voluntários dão seu melhor, mas algumas coisas são impraticáveis. Lugar para sentar e comer ? Não teve dinheiro para esticar uma tenda, colocar mesas e cadeiras. Porém teve para o mais importante, comida. Logo, o almoço era de pé, ou sentado ao lado de alguma cerca. No Sol. Ele sempre está presente.
O passo seguinte da Festa de Natal dessas famílias era encarar mais uma fila para pegar a cesta básica. Um presente de significado. Mais um mês com alimento assegurada. No dia de Natal e de Ano Novo, arroz e feijão estão garantidos. Amém diziam algumas senhoras ao receber sua "Feira".
Uma fila para as mamães com seus bebês no colo. Uma fila para o resto. A espera não foi longa, mas a fila era grande. Senhas foram distribuídas, famílias cadastradas. O objetivo é ter o contato para que nos cursos de capacitação de agricultura elas sejam convocadas. Também é uma forma de saber quantas são as famílias em vulnerabilidade social neste pedaço de Sertão. O número é alto.
... Ajudei naquilo que pude, não fiz muito, mas fiz de bom coração. Também observei o dia em que Baixas se tornou o centro da região. Todos com suas melhores roupas, suas sombrinhas mais bonitas, para um dia de Mês de Natal {...}
Qual é o meu problema?... Honestamente? Ter demais. Neto Rodrigues - Jornalista Curitibano.


 - Pois estou com vocês Joana D'arc Henzel é Ronaldo Henzel, desistir jamais, é continuar persistindo Sempre com Deus no controle. Juntos - ONG, Parceiros, Voluntários e Amigos! Assim será nossa Jornada Sempre. Mesmo enfrentando Obstáculos! Roseane Feitoza - Voluntária da ONG Pão é Vida
 - Sabe aquele dia que você reflete sobre a vida? Sobre o quanto a criança nos ensina... Reflete e fortalece o seu pensamento que a felicidade não está em o quanto temos...Mas no que podemos ser feliz com o que existe.... O dia de hoje me mostra o quanto nós NORDESTINOS somos fortes ... que o calor não está apenas no nosso clima, mas também ele é muito forte dentro de nós ... e ver isso através da criança, não tem como não ter um DIA FELIZ.
Arnaldo Xavier – Empresário fundador da Rota do Mar.
Nós que fazemos a ONG Pão é Vida, agradecemos a cada um que cooperou com a ação: Natal com mesa Farta 2017. Foram entregues 421 cestas de alimentos, servidas gratuitamente, cerca de 768 refeições (adultos e crianças e voluntários). Finalizamos pontuando que, gostaríamos de ter uma estrutura melhor, mesas, cadeiras, tendas para proteger as pessoas do sol...vivenciamos a situação real, e não ideal. Oferecemos no evento, o que foi possível. Ninguém pode oferecer o que não está a seu alcance. Gratidão ao jornalista, Neto Rodrigues​, por seu texto tão rico, e que pode nos levar a refletir sobre a vida, valores...

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