INCLUSÃO SOCIAL

               CAPACITAÇÃO -  GERAÇÃO DE RENDA -  INCLUSÃO SOCIAL.
Estes são alguns pilares que possibilita que os sertanejos tenham oportunidade de permanecer na sua terra.
O êxodo rural, (migração) é um fenômeno recente no Brasil, causou inchaço nas periferias das grandes cidades brasileiras.  Muitos sertanejos fizeram este caminho desde a década de 60\70, não eram hostilizados, como na atualidade. Na época a sua mão de obra era necessária foi absorvida. 
Foram eles, os nordestinos, que ajudaram construir algumas das grandes cidades brasileiras.
Atualmente muitos dos nordestinos que migram enfrentam diversas faces do preconceito. Há estudos que comprovam que um alto índice de nordestinos que migram, o fazem por falta de condições de sobrevivência na terra. Acreditamos ser importante que nordestino, viva com dignidade em seu lugar de origem.
O desenvolvimento local é um caminho que estamos trilhando no Sertão do Moxotó, (área rural abandonada pelo poder público). É um desafio a longo prazo, porém, já é possível ver mudanças.
                     COM CAPACITAÇÕES, É POSSÍVEL VER AVANÇOS
Ano passado fizemos capacitações em parceria com o SENAR – PE, com objetivo que as famílias passassem a plantar árvores frutíferas e hortas. De lá para cá, temos doado mudas de árvores frutíferas para quem deseje ter seu pomar. Ver as mudas crescendo nos quintais, é uma dádiva. Houve casos, como da Rosicleide, que recebeu da ONG Pão é Vida mudas e arame farpado, para cercar seu pomar, pois os bodes (caprinos) estavam devorando tudo... O pomar hoje, cresce vigoroso!  
Para nossa surpresa, até as crianças e adolescentes vieram em busca de ajuda para plantar mudas nos seus quintais. Houveram situações, menos animadoras, em que pessoas beneficiadas com as mudas, (mesmo tendo água dos poços) deixou as mudas morrer. Um caso mais emblemático foi de um abacateiro com mais de 1 ano, que morreu devido a falta de cuidado.

                                  O mito da caverna - Por Neto Rodrigues.
Viver no sertão me tirou a venda dos olhos. Me esclareceu muita coisa. Me ensinou muitas outras. Hoje, visitei uma colheita de melancia. Dez toneladas sendo colhidas graças aos poços e ao sistema de irrigação. Dez mil quilos de melancia sendo colhidas em meio a maior seca dos últimos cem anos. Geração de renda para uma família.
Aí você, que por ventura não pode visitar o sertão, pensa. Nossa, um programa do governo federal? Nossa, o fulano fez muito pelo Brasil. A fulana mais ainda! O cliclano então, no tempo dele a coisa andava.
Esse é o mito da caverna. As propagandas partidárias te dão a impressão que tudo é feito pelos políticos e seus belos discursos recheados de empatia. A verdade é que não. Os últimos quatro presidentes fizeram o mínimo. O programa de transferência de renda. Um criou, outro rebatizou e outros dois mantiveram. O último está cortando com foice o número de beneficiários.
É fato também que os três últimos presidentes legítimos trouxeram luz, energia elétrica para o sertão. E parou por aí. Não houve um trabalho de desenvolvimento sólido da economia no sertão. Visitei oito cidades, mais de vinte povoados. Em todos que passei, o legado é: cartão de transferência de renda e energia elétrica. Não vou aplaudir, não fizeram mais que a obrigação.
Essa roça de melancia da foto, de onde saíram dez mil quilos da fruta, só existe porque pessoas somaram forças e vieram aqui no sertão perfurar um poço para a família em questão. Alias, aqui nas Baixas, povoado que está a pouco mais de 200km do município de Caetés, berço de um idolatrado político e ex-presidente, a situação estava bem feia até o final da primeira década de 2000.
A fome aqui era prerrogativa básica para ser morador, infelizmente. De cada 10 crianças nascidas vivas, menos de seis sobreviviam aos primeiros seis meses. Morriam de fome, de sede. Apenas o bolsa família não assegurava a vida. Embora, diminuísse a fome, sejamos justos.
Porém, desde a década de 90, escutava o discurso vindo das TVs de que o Sertão estava mudando e melhorando. De fato, as pessoas dizem que melhorou. Porém, basta passar uma temporada aqui para entender que para quem não tinha absolutamente nada, o mínimo do mínimo se torna uma grande avanço. Não vai ter aplausos mesmo.
O que me chamou atenção é que não se vê um rastro de tentativa de fomentar o desenvolvimento da agricultura por aqui. O sertão é uma potência na produção de frutas e grãos. Basta ter água. Um poço custa R$ 50 mil para se perfurado, e ter o maquinário instalado. Quantos poços poderiam ter sido perfurados com o dinheiro do Mensalão? Quantos poderiam ser perfurados com o dinheiro dos Anões do Orçamento, da Lava Jato? Quantos?
Não fizeram e não farão. A indústria da seca é rentável aos "Salvadores da Pátria". Jamais permitiram que essas famílias fossem emancipadas. Mantiveram todas presas a um cartão de benefício social.
Felizmente, mesmo que em pouca quantidade, grupos de voluntários, decidiram fazer o que de fato nunca foi feito na história deste país. Graças a pessoas como Joana D'arc Henzel, Manoel Nascimento, Ronaldo Henzel, e tantos e tantos outros voluntários que conheci nessas terras, famílias como essa da foto, podem finalmente plantar e colher o ano todo.
É pelas mãos de pessoas como eu e você, que o sertão muda um pouco de figura é, mesmo que a passos lentos, vai se livrando das correntes dos coronéis, sejam eles da oligarquia, ou do proletariado.

O mito da caverna no Brasil é achar que político quer o pobre de fato se libertando da pobreza. Se isso de fato acontecer, a quem eles irão iludir com promessas de dias melhores? Os bilhões roubados do nosso país nos últimos anos poderiam ter mudado a cara do Brasil. Porém, não se atreva a dizer isso, o mito da caverna nos ensina que só existe um lado e ele passa todos os dias na TV, nos discursos prontos, nas redes sociais, nas rádios. Se você questionar, é linchado por uma legião de seguidores que não conhecem o semiárido, mas vendem os avanços que disseram existir lá. Uma pena, uma lástima. 

Vida que segue...

                                 UM POUCO DA HISTÓRIA
Após realizar ações e projetos em São Paulo, Paraíba e no Rio Grande do Norte, em janeiro de 2008 a ONG Pão é Vida chega em Santa Cruz do Capibaribe, localizada no Agreste setentrional de Pernambuco. 
 A cidade é um Importante polo econômico do estado, em função  setor têxtil, a cidade é conhecida como "capital da Sulanca".
Apesar da fama de ser a "cidade que mais cresce em Pernambuco", possui  problemas estruturais e sociais.  
Fomos conhecer a cidade e os bairros e nos deparamos com um cidade de gente criativa e empreendedora, conhecemos também famílias oriundas dos sítios, povoadas e pequenas cidades que migraram para Santa Cruz em busca de trabalho, e  sem qualificação profissional necessária ficaram fora do mercado, (que absorve mão de obra qualificada) e acabaram vivendo em situação muito precária.

  PRIMEIRA COMUNIDADE ADOTADA EM SANTA CRUZ FOI A FAVELA DO PAPELÃO.

Dia 08 de junho de 2008, Pão é Vida promoveu um mutirão solidário na escola Dona Tila da Costa Lima, em Santa Cruz do Capibaribe, ao lado de uma comunidade conhecida como “Favela do papelão”  cerca de 20 cabeleireiros, e outros profissionais estiveram prestando serviço na comunidade.  Um agente de saúde ministrou palestra sobre o perigo da dengue, cortes de cabelo, aferição de pressão arterial, teatro com fantoches, brincadeiras com palhaços e sorteio de brindes. 
A ONG Pão é Vida atua na comunidade desde fevereiro 2008, acompanhando famílias, realizando atividades educativas e lúdicas para aquelas pessoas que viviam em barracos de plástico ou papelão numa invasão.
Algumas eram oriundas de  Buíque, Alagoinha e Brejo da Madre de Deus em Pernambuco.
SAIU LIMINAR PARA RETIRADA DAS FAMÍLIAS DA “FAVELA DO PAPELÃO”
Em Maio de 2009 saiu uma liminar para retirar as famílias de um local conhecido como “Favela do papelão”. Cerca de 90 famílias viviam ali em condições sub-humanas morando embaixo de barracos de plástico ou de papelão. Batalhamos junto a secretária de ação social da Santa Cruz do Capibaribe buscando uma solução pacifica para a situação.
As famílias em situação de vulnerabilidade social moravam anos nesse local havia cerca de 2 anos, eram famílias inteiras, pessoas destituídas de emprego e renda, que muitas vezes a parte invisível do povo brasileiro
Entregamos um mapeamento das famílias á então secretária de ação social do município, e falamos das nossas ações na comunidade e da preocupação quanto ao futuro daquelas pessoas.
Reconhecemos o direito a propriedade, e não apoiamos invasões, no entanto, cabe ao poder público prover o que garante a constituição de 1988 (moradia e dignidade humana).
  DOAÇÃO DE TERRENOS PARA FAMÍLIAS CARENTES DA FAVELA DO PAPELÃO
A doação de pequenos terrenos foi feita pelo poder público municipal e  ocorreu exatamente quando completou 1 ano de acompanhamento das famílias, depois de cobrarmos uma ação definitiva das autoridades e expor a real situação em que viviam. Dia 15 de junho de 2009, as famílias foram retiradas da “Favela do papelão” para outra área doada pela prefeitura de Santa cruz do Capibaribe.
Dia 16 á 28 foi o período mais difícil, sem seus barracos, as famílias dormiram vários dias ao relento, sem abrigo, não tinham sequer pregos para refazer seu barracos. tudo o que possuíam eram restos de papelão e pedaços de plásticos que trouxeram do local onde viviam. Naqueles dias doamos compensados, cobertores, roupas e pregos, além ajudarmos na montagem dos barracos, estrutura temporária até que possam construir casas de alvenaria. Iniciamos a nova etapa, ajudando montar estruturas provisórias para se protegerem do frio e da chuva, uma vez que as famílias ganharam o terreno, mas, foram retirados da invasão ás pressas e deixados no novo local sem nenhuma infraestrutura.
 LAUDJANE  - UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO
Quando o encontramos o Laudjane em janeiro 2008, ele estava sentado debaixo de uma arvore, num sol escaldante... cozinhando algo num fogo de chão improvisado com gravetos. cozinhando um caldo numa panela de barro, ( segundo ele, era farinha com a água) envergonhado ele nem levantou a cabeça para olhar quem falava com ele... após nos ouvir por uns instantes,  enfim levantou a cabeça parecendo se interessar pelo assunto... Soubemos naquela conversa, que ele estava vivendo debaixo de uma barraca de plástico com seus 5 filhos e a esposa.
Essa é uma das primeiras casas erguidas na nova comunidade, a casa de Laudjene, ajudamos doando cimento para a obra.
A partir dali nasceu uma amizade e o desejo de vê-lo em uma condição de vida melhor...
Sem outro trabalho que lhe desse condições de alimentar sua família, ele catava reciclagem  para sobreviver, porém não tinha sequer um jumento para ajudar nessa tarefa, ele mesmo puxava a carroça.
Ajudamos ele para que construísse a sua casa de alvenaria, em um terreno doado pela prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe.
Um dos momentos tristes que tivemos ao acompanhar o processo de Inclusão social de Laudjane, foi o dia em que ele conseguiu uma entrevista de trabalho no ano de 2009.


Quando ao ser perguntado sobre seu endereço, disse que morava na "favela do papelão", sua sinceridade lhe custou à vaga para o trabalho, pois o empregador disse que a vaga havia sido preenchida. Laujane nos procurou em prantos desabafou: Eu poderia ter mentido, só porque falei a verdade perdi a oportunidade de ter um trabalho para alimentar meus filhos e viver um vida com um pouco mais de dignidade.
Hoje, "Lau Mecânico", como é mais conhecido na comunidade, conserta carros  e recentemente comprou um pequeno terreno onde funciona a sua oficina,  assim sustenta sua família com dignidade.


EDILZA E SEUS 3 FILHOS
Em 2006 ela passou um momento muito difícil, mãe solteira de 3 filhos, o Luiz era um bebê naquela época. Ela ficou desempregada e sem contar com ajuda efetiva dos pais das crianças ou mesmo dos programas do governo federal, muito embora tivesse tentado, pois se cadastrou-se 3 vezes, mais, o tal cartão nunca chegava...
Naqueles dias ouvimos de um funcionário do banco que alguém com nome semelhante ao seu, estava recebendo o benefício do bolsa família dela em uma cidade chamada Jupi, ela nunca havia ido nessa cidade. Chegamos em sua casa naqueles dias (...) Edilza estava com aluguel atrasado, sem água, pois não tinha cisterna em sua casa... as crianças choravam muito. Foi todo um processo. Ajudamos na mudança para outra cidade ela. Conseguimos 2 entrevistas emprego, Após aprovação em uma delas conseguiu trabalhar com carteira assinada por 2 anos.
Em 2010 Ele recebeu concluiu o curso de costura industrial ofertado pela ONG Pão é Vida.